Mortos em terremotos na Venezuela se aproximam de três mil
Os terremotos devastadores que impactaram a Venezuela há dez dias deixaram quase três mil mortos, segundo o balanço mais recente divulgado neste sábado (4), enquanto socorristas estrangeiros encerram suas operações de buscas por sobreviventes.
Máquinas derrubam estruturas já colapsadas pelos terremotos e removem lajes de prédios em La Guaira, marco-zero dos sismos e estado vizinho a Caracas, também impactada pelos tremores de 24 de junho, com magnitudes 7,2 e 7,5.
"Seguimos trabalhando, encontrando corpos, seguimos. Não tem sido fácil", contou à AFP Francisco Sasquia, socorrista voluntário e tradutor de 38 anos, no prédio Ocean Beach, na região de Playa Grande, em La Guaira.
O ministério das Comunicações venezuelano informou, neste sábado, que pelo menos 2.954 pessoas morreram e 16.592 ficaram feridas no duplo terremoto, um dos mais fortes e devastadores da América Latina, que mergulhou o país no luto e no desespero para encontrar sobreviventes e vítimas fatais.
Nas ruas de La Guaira, cada vez são menos os socorristas estrangeiros trabalhando nas buscas. Brigadas de Estados Unios, Chile e outros países começam a preparar sua partida, informaram suas equipes neste sábado.
Entre eles estão a equipe de resgate do Departamento dos Bombeiros do Condado de Los Angeles e equipes da Flórida e da Virgínia, informaram seus integrantes à AFP.
A janela para encontrar sobreviventes neste tipo de eventos se fecha em 72 horas ou três dias.
No entanto, na quinta-feira, socorristas retiraram com vida dos escombros um homem soterrado havia oito dias, uma boa notícia em meio ao trágico balanço de mortos.
- "Esperanças" -
A presidente interina, Delcy Rodríguez, condecorou, neste sábado, socorristas de Brasil, Argentina, Reino Unido, Catar, França, Índia e Barbados. Ela pôs medalhas inclusive em alguns cães farejadores.
"Esta é a solidariedade que deve inspirar os povos do mundo", disse Rodríguez no ato.
A presidente defende a resposta do governo venezuelano à emergência, muito criticada pela insuficiência de socorristas e maquinário até a chegada das brigadas internacionais.
"Temos fé que vamos conseguir (encontrar) pessoas com vida, não perdemos as esperanças", disse Francisco Sasquia, enquanto brigadistas vietnamitas e mexicanos que colaboravam nos esforços deixaram as imediações.
Muitos sobreviventes ficaram na rua ou em refúgios precários instalados em parques sem um futuro claro no horizonte. O governo contabiliza em mais de 16.000 as pessoas que ficaram sem moradia, segundo o último balanço.
- "Terror" -
Centenas de famílias de baixa renda moravam nos complexos residenciais de 12 andares, conhecidos como OPP (Obras do Poder Popular) 26 e 27 em Caraballeda, no estado de La Guaira.
Os prédios foram reduzidos a montanhas de escombros, onde voluntários cansados buscam recuperar os corpos de famílias inteiras.
"É um filme de terror, nos salvamos da guerra, mas não da natureza", diz Celida Sequera, uma voluntária de 43 anos, com o rosto e as roupas cobertos de lama.
Esta dona-de-casa acompanha há oito dias um amigo que perdeu tudo. Sua esposa e seus três filhos, de seis, 10 e 12 anos estavam deitados em uma cama quando uma parede caiu sobre eles durante os terremotos, conta a mulher.
"Como tudo ficou destruído, não eram encontrados, mas já os localizamos", explica Sequera.
O governo não divulgou números de desaparecidos, mas a ONU estima que podem chegar a 50.000.
A.Fischer--MP