Bukele avalia 'libertação antecipada' de detidos durante a guerra contra as gangues
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou na terça-feira (13) que seu governo avalia uma libertação "antecipada" e "condicional" de detidos durante sua guerra contra as gangues que sejam "culpados" de colaborar com estas organizações criminosas.
"Temos um plano (...) que beneficiaria mais ou menos 50% dos presos que há em El Salvador que colaboraram com gangues, com uma libertação antecipada", disse Bukele, ao destacar que, embora sejam "culpados", poderiam ser liberados "condicionalmente" e "sob monitoramento".
Quase 93.000 pessoas foram detidas sob um regime de exceção, em vigor há quatro anos, que reduziu a criminalidade a níveis historicamente baixos, mas que, segundo ONGs e um grupo de especialistas da ONU, resultou em crimes contra a humanidade.
Segundo a organização humanitária Socorro Jurídico, pelo menos 30.000 detidos são inocentes e mais de 500 morreram sob custódia do Estado.
O mandatário revelou o plano de "libertação antecipada" ao responder, em uma coletiva de imprensa sobre investimentos, a uma jornalista que o questionou sobre publicações feitas em abril por seu irmão, Ibrajim Bukele, na rede social X.
O irmão do presidente afirmou que existe uma "comissão independente" que avalia casos de detidos e "trabalha ao lado do Ministério Público, do Ministério da Justiça e dos Centros Penais", com participação do "Gabinete da Primeira-Dama".
"Imagino que o que ele quis dizer (...) é que nós não temos nenhuma intenção de manter na prisão qualquer pessoa que não seja culpada", disse o presidente.
T.Murphy--MP