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Personalidade de Elon Musk, no centro da batalha jurídica contra a OpenAI
Personalidade de Elon Musk, no centro da batalha jurídica contra a OpenAI / foto: John MACDOUGALL, SAUL LOEB - AFP/Arquivos

Personalidade de Elon Musk, no centro da batalha jurídica contra a OpenAI

A personalidade de Elon Musk dominou nesta segunda-feira (27) a seleção do júri encarregado de examinar seu litígio contra a OpenAI e seus dirigentes, a quem acusa de trair a vocação original sem fins lucrativos da empresa matriz do ChatGPT.

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Quase metade das pessoas interrogadas nesta segunda-feira para formar o júri desse tribunal federal de Oakland, do outro lado da baía de San Francisco, expressaram reservas em relação ao chefe da Tesla e da SpaceX, que cofundou a OpenAI em 2015 antes de uma ruptura brusca.

O ChatGPT, da OpenAI, é rival do Grok, o chatbot criado pelo laboratório xAI de Musk.

"Elon não se importa com as pessoas, assim como nosso presidente", disse um aposentado americano que estava sendo considerado para integrar o júri.

Um funcionário da cidade de Oakland dentro do grupo de possíveis jurados referiu-se a Musk como "um idiota".

"Engenheiro brilhante, homem de negócios brilhante, mas fez muitas coisas muito nocivas para o país", declarou um engenheiro americano de origem italiana.

Muitos desaprovam abertamente sua aproximação com Donald Trump e seu breve papel no Doge, a comissão encarregada de cortar gastos públicos.

"É um tipo repugnante, mas posso tentar deixar isso de lado", disse um funcionário municipal de Oakland. "É um racista e estuprador", escreveu um dos cidadãos em seu questionário, o que levou os advogados de Musk a exigir sua exclusão.

Ao final, foram escolhidos nove jurados que terão a tarefa de emitir apenas uma opinião consultiva sobre o caso, já que a juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers reservou para si a decisão final.

— "A serviço do bem comum" —

A juíza deverá decidir três questões levantadas na ação: a OpenAI violou sua missão filantrópica original? Enriqueceu-se injustamente? E seus vínculos com a Microsoft infringem o direito da concorrência?

Documentos judiciais detalham como Sam Altman convenceu Musk a apoiar a OpenAI em 2015, como cofundador de um laboratório sem fins lucrativos cuja tecnologia "pertenceria ao mundo".

Musk injetou milhões de dólares no laboratório e posteriormente se afastou.

No entanto, a OpenAI se transformou em um gigante comercial atualmente avaliado em 852 bilhões de dólares (R$ 4,23 trilhões).

A juíza decidirá até o fim de maio — guiada pelas conclusões do júri consultivo — se a OpenAI quebrou uma promessa feita a Musk em sua busca por liderar a inteligência artificial, ou se simplesmente soube aproveitar a tecnologia para alcançar domínio de mercado.

Os debates começarão na terça-feira, antes dos aguardados depoimentos presenciais do próprio Elon Musk, do chefe da Microsoft, Satya Nadella, e de Sam Altman, que esteve presente na seleção do júri.

Ausente e fiel ao seu estilo, Elon Musk se manifestou em sua rede social X: "Eu poderia ter criado a OpenAI como uma empresa com fins lucrativos. Em vez disso, eu a criei, a financiei, contratei talentos-chave e lhes transmiti todo o meu know-how sobre como levar uma startup ao sucesso, A SERVIÇO DO BEM COMUM".

— "Frear um concorrente" —

Além de pedir que a OpenAI seja obrigada a voltar a ser uma organização puramente sem fins lucrativos, a ação de Musk exige a destituição de Altman e do cofundador Greg Brockman, presidente da startup, além do rompimento de seus laços com a Microsoft.

A OpenAI respondeu em seus documentos judiciais que sua ruptura com Musk se deveu à busca dele por controle absoluto, e não à sua condição de organização sem fins lucrativos.

"Sua ação não passa de uma campanha de assédio movida pelo ego, inveja e pelo desejo de frear um concorrente", afirmou a empresa, referindo-se ao laboratório de IA criado por Musk após sua saída da OpenAI.

Este último integrou a xAI à sua empresa espacial SpaceX, avaliada em 1,25 trilhão de dólares (R$ 6,21 trilhões), que também prepara sua abertura de capital.

Elon Musk, que havia investido 38 milhões de dólares nos primórdios da OpenAI e reivindicava até 134 bilhões de dólares em indenizações, renunciou desde então a qualquer benefício pessoal, comprometendo-se a destinar eventual compensação à organização sem fins lucrativos da OpenAI.

Embora tenha obtido uma vitória simbólica ao conseguir levar o caso a julgamento, o homem mais rico do mundo chega enfraquecido.

Além de limitar o papel do júri a uma função consultiva, a juíza reduziu consideravelmente o alcance de suas acusações e rejeitou vários pedidos que teriam orientado as deliberações a seu favor.

A.Meyer--MP