Bombardeios russos na Ucrânia deixam mais de 20 mortos antes de possível trégua
Mais de 20 pessoas morreram nesta terça-feira (5) em bombardeios russos na Ucrânia, cujo presidente, Volodimir Zelensky, denunciou o "cinismo absoluto" de Moscou ao buscar uma trégua para comemorar em 9 de maio a vitória de 1945 sobre a Alemanha nazista.
Os ataques, que tiveram como alvo as cidades de Zaporizhzhia (sul), Kramatorsk (leste), Dnipro (centro) e Nikopol (centro-leste), ocorreram enquanto a Ucrânia anunciava seu próprio cessar-fogo a partir da meia-noite desta terça-feira (18h em Brasília), o qual instou Moscou a respeitar.
No entanto, pouco antes de sua entrada em vigor, um ataque ucraniano com drones contra a Crimeia ocupada deixou cinco mortos na localidade de Dzhankoi, segundo as autoridades russas.
Já na Ucrânia, pelo menos 21 civis morreram em ataques russos em todo o país.
Em Zaporizhzhia, 12 pessoas morreram em uma ação que Zelensky descreveu como "sem qualquer justificativa militar". Além disso, cinco civis morreram em Kramatorsk e quatro em Dnipro, segundo o mandatário, e outra morte foi registrada em Nikopol.
Com a diplomacia em ponto morto, mais de quatro anos depois do início da invasão, a Rússia anunciou unilateralmente um cessar-fogo para os dias 8 e 9 de maio, a fim de comemorar no sábado, em Moscou, seu desfile do Dia da Vitória.
O Exército russo ameaçou lançar "um ataque maciço de mísseis" contra a Ucrânia em caso de violação de sua trégua.
- 'Cinismo absoluto' -
"É de um cinismo absoluto pedir um cessar-fogo para realizar comemorações propagandísticas, enquanto lançam ataques todos os dias com mísseis e drones", denunciou Zelensky no Bahrein, onde está de visita.
"Precisamos que cessem esses ataques e todos os demais do mesmo tipo todos os dias, e não apenas durante algumas horas em algum lugar, em nome das 'celebrações'", acrescentou.
Zelensky não estabeleceu uma duração ao declarar sua trégua e também advertiu que suas forças responderiam "de maneira recíproca" a qualquer violação.
Uma mensagem que Moscou ignorou, pois pouco antes de 01h30 da quarta-feira (horário local, 19h30 de terça-feira em Brasília), alertas aéreos voltaram a soar nas regiões de Kharkiv e Donetsk, no leste da Ucrânia.
Até o momento, não há informações de uma resposta ucraniana.
"Apenas algumas horas após a entrada em vigor da proposta de cessar-fogo da Ucrânia, a Rússia não mostra nenhum sinal de preparação para pôr fim às hostilidades. Pelo contrário, Moscou intensifica o terror", assinalou na terça-feira o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, na rede social X.
- Manobra tática -
Segundo o analista político ucraniano Volodimir Fessenko, o anúncio de uma trégua por parte de Kiev é uma manobra tática nos âmbitos "informacional e político".
"Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o seu. Isso anula a iniciativa de Putin", estima Fessenko, em declarações à AFP. Segundo ele, é "quase certo" que nenhuma suspensão das hostilidades seja plenamente respeitada.
Essas tréguas deveriam acontecer mais de três semanas depois de um cessar-fogo de 32 horas, durante a Páscoa ortodoxa, que foi violado repetidamente, embora tenha sido respeitada uma suspensão dos ataques aéreos de longo alcance.
Há tempos a Ucrânia pede uma trégua prolongada no front para facilitar as negociações e chegar a um acordo que ponha fim à guerra, desencadeada pela invasão russa em larga escala em fevereiro de 2022, o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Moscou se nega, ao argumentar que uma suspensão mais ampla das hostilidades permitiria a Kiev reforçar suas defesas.
Em resposta à intensificação dos bombardeios russos nas últimas semanas, a Ucrânia vem multiplicando seus ataques com drones.
Um desses aparelhos, inclusive, destruiu a fachada de um edifício residencial de luxo no oeste de Moscou.
Também chegam em um contexto delicado para o Exército russo no front.
A zona controlada pelos russos na Ucrânia foi reduzida em cerca de 120 km² em abril, algo que não acontecia desde a contraofensiva ucraniana do verão boreal de 2023, segundo uma análise da AFP dos dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês).
Em paralelo, Zelensky destacou perante as autoridades do Golfo a experiência da Ucrânia contra os drones projetados pelo Irã, que Moscou utiliza em sua ofensiva.
O dirigente ucraniano afirmou nesta terça-feira que propôs ao Bahrein um acordo sobre esses drones, após um encontro com o rei Hamad bin Isa al Khalifa.
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Y.Ingvar--MP