Münchener Post - Morte de Maricarmen Abascal, símbolo da crise da habitação, comove a Espanha

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Morte de Maricarmen Abascal, símbolo da crise da habitação, comove a Espanha

Morte de Maricarmen Abascal, símbolo da crise da habitação, comove a Espanha

Maricarmen Abascal, a octogenária cujo despejo do apartamento onde morava em Madri desencadeou uma onda de protestos na Espanha, morreu nesta quarta-feira (7), convertida em símbolo de luta em um contexto de crescente tensão pela moradia, que levou à convocação de eleições antecipadas.

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"Maricarmen vive, a luta continua", entoavam centenas de manifestantes reunidos perto do Congresso, no centro de Madri. Muitos vinham da praça Porta do Sol, onde manifestantes pelo direito à habitação estão acampados há dez dias.

Ali, o clima era de luto, com fileiras de velas colocadas entre as barracas e manifestantes se abraçando emocionados após guardarem um minuto de silêncio pela aposentada, cujo despejo, em 23 de setembro, deu início às mobilizações.

"Mataram Maricarmen. Fizeram com que uma senhora de 87 anos passasse seus últimos dias angustiada e em um hospital", afirmou, com a voz embargada pela emoção, Nora Boumghait, uma profissional de marketing de 25 anos. "Se isso começou por ela, vai continuar por ela", declarou.

"Eu me identifico", contou, a poucos metros dali, Ashley Pérez, uma militar de 23 anos que, devido às dificuldades para encontrar moradia, não consegue viver com o filho. "Vamos continuar lutando não só por mim, mas pelo povo", prometeu.

- "Exemplo de luta" -

Maricarmen Abascal havia sido levada a um hospital de Madri após ser despejada do apartamento onde morava havia sete décadas, no bairro nobre do Retiro, depois que a empresa proprietária tentou aumentar fortemente seu aluguel.

A imagem dela deixando a residência em uma maca, em meio aos gritos de indignação dos manifestantes que haviam ido apoiá-la, causou forte impacto em um país cada vez mais preocupado com a escalada dos preços da moradia.

"Lamentamos informar que Maricarmen faleceu hoje", comunicou no início da noite o Sindicato de Inquilinas, destacando seu "exemplo de luta" e a onda de reações após seu despejo, que "representam um antes e um depois na história deste país".

Os protestos após seu despejo, que se tornou símbolo da especulação imobiliária, fizeram com que a empresa aceitasse um acordo que permitiria à mulher retornar ao apartamento depois de deixar o hospital. Mas seu delicado estado de saúde não permitiu.

- Greve geral -

"Todo o meu carinho à família e aos entes queridos de Maricarmen. Um abraço também a todos nós que hoje sentimos esta perda como nossa", escreveu o presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, no X.

Diante das crescentes mobilizações, seu governo promoveu na semana passada dois decretos com medidas para tentar conter a crise habitacional, mas os textos foram rejeitados na última sexta-feira pelo Congresso. Na segunda, Sánchez anunciou a convocação de eleições gerais antecipadas para 29 de novembro.

"Quero transmitir meus pêsames à família e aos entes queridos de Maricarmen. Nem campanha, nem partidos, nem utilização interessada. Chega de pedras no muro", escreveu, por sua vez, o líder do Partido Popular (PP, direita), Alberto Núñez Feijóo, no X.

Com o país já em período de pré-campanha eleitoral, as mobilizações continuam, já que os principais sindicatos espanhóis convocaram nesta quarta-feira uma greve geral para 11 de novembro, principalmente para reivindicar "salários melhores" e "moradia digna".

"O debate sobre a moradia está no centro das atenções, mas o custo para chegarmos até aqui foi alto demais", lamentou o Sindicato de Inquilinas após a morte de Abascal.

ml-rs/mr/ic

J.Becker--MP