Justiça cubana pede até 13 anos de prisão para manifestantes
O Ministério Público cubano pediu penas de até 13 anos de prisão para 18 manifestantes acusados de invadir, em março, uma sede do Partido Comunista (PCC, único) no centro da ilha, segundo um documento judicial ao qual a AFP teve acesso nesta quarta-feira (21).
O incidente ocorreu na madrugada de 14 de março quando um grupo de pessoas indignadas com os apagões prolongados e a falta de alimentos invadiu a sede do partido no município de Morón, 460 quilômetros a leste de Havana.
Os 18 acusados, entre eles seis menores, serão processados por crime de "sedição". O Ministério Público solicita condenações entre cinco e 13 anos de prisão.
Em abril, a Anistia Internacional classificou como "preocupante" a detenção de menores de idade devido a estes fatos.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram a invasão à instituição, a queima de bens na via pública e manifestações de moradores que reivindicavam "liberdade".
Dois habitantes de Morón, consultados por telefone pela AFP no dia do incidente e que pediram para permanecer anônimos, asseguraram que o protesto teve participação maciça.
A ilha, com 9,4 milhões de habitantes, atravessa uma profunda crise econômica, com escassez de alimentos, remédios e combustível, agravada desde janeiro pelo bloqueio petrolífero dos Estados Unidos.
Com cortes de eletricidade de até 90 horas consecutivas, que também dificultam o acesso à água potável, muitos cubanos expressam seu descontentamento público com protestos noturnos.
S.Schuster--MP