Münchener Post - Trump recorre a medidas drásticas para semear dúvidas antes das eleições nos EUA

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Trump recorre a medidas drásticas para semear dúvidas antes das eleições nos EUA
Trump recorre a medidas drásticas para semear dúvidas antes das eleições nos EUA / foto: Kent NISHIMURA - AFP

Trump recorre a medidas drásticas para semear dúvidas antes das eleições nos EUA

Prisões de estrangeiros acusados de votar sem ter o direito, além de recompensas por denúncias: a administração Trump recorre a medidas drásticas para semear dúvidas antes das eleições, em uma cruzada que a oposição democrata denuncia como uma tentativa de intimidação.

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O presidente Donald Trump afirma, há anos e sem apresentar provas, que centenas de milhares de pessoas que não são americanas votam em estados controlados pelos democratas, o que, segundo ele, alteraria os resultados.

Em vários estados, como Pensilvânia, Califórnia e Flórida, agentes federais armados prenderam algumas pessoas acusadas de terem votado no passado sem possuir a cidadania americana.

Trata-se de uma campanha acompanhada por advertências severas em relação às eleições.

No Texas, o procurador federal Aaron Reitz — que, em 2020, tentou em vão anular os resultados da eleição presidencial em quatro estados — se manifestou sobre o assunto.

"Se violarem a lei eleitoral federal, vou persegui-los e levá-los à justiça", advertiu na semana passada no X.

Trump prometeu uma recompensa de um milhão de dólares (cerca de 5,49 milhões de reais) a "qualquer um que denuncie fraude eleitoral nas eleições passadas, ou nas próximas eleições de meio de mandato de 2026".

O mandatário não deu detalhes sobre como essa recompensa será financiada ou administrada.

- Prisões -

Na Califórnia, 28 prisões foram realizadas na semana passada, em casos que remontam ao ano de 2002.

Essas detenções "demonstram o que temos dito desde o início", afirmou o procurador federal adjunto Bill Essayli em uma coletiva de imprensa.

"A Califórnia envia cédulas eleitorais a pessoas que não são cidadãs e se recusa a cumprir a lei federal, que tipifica como crime o voto daqueles que não são cidadãos", insistiu.

Assim como muitos democratas, Janice Hahn, membro da Câmara Municipal de Los Angeles, denunciou "uma intimidação aos eleitores e uma tentativa flagrante de minar a confiança em nossas eleições de meio de mandato".

Essas detenções "estão sendo usadas para dar a impressão de que existe uma fraude eleitoral generalizada, quando sabemos que não é esse o caso", acrescentou.

Nos últimos meses, a administração Trump afirmou que a Califórnia contava com 190.000 eleitores "ilegais" em seus registros.

Posteriormente, revisou drasticamente esse número para baixo, para 20.000 pessoas, e solicitou à justiça que determinasse a apreensão de suas cédulas de voto, a poucos dias da votação.

Uma lista muito questionada pelas autoridades locais, que também se surpreendem com o momento em que esse procedimento judicial é apresentado.

Inúmeros estudos demonstraram que casos de fraude eleitoral são extremamente raros nos Estados Unidos.

O The New York Times analisou recentemente um banco de dados do centro de estudos conservador The Heritage Foundation, que registra apenas 100 casos de pessoas que votaram entre 1982 e 2025 sem serem cidadãs americanas.

"Isso representa aproximadamente 0,000008% dos mais de 1,3 bilhão de votos dados nas eleições presidenciais durante esse período", observou o jornal.

- Medo entre os eleitores -

A administração Trump está conduzindo "uma perseguição agressiva contra esse tipo de fraude em nível nacional", observou Rick Hasen, professor de direito na UCLA, em uma postagem recente em seu blog. "Não é de se surpreender que tenham encontrado poucos casos, já que se trata de um problema limitado."

A campanha midiática do governo gera inquietação em alguns eleitores. Em Los Angeles, um cidadão americano originário da Guatemala declarou à AFP, sob condição de anonimato, que não se sentia tranquilo.

"Estão prendendo pessoas que possuem vistos ou a cidadania", denunciou.

"Até alguém que se tornou cidadão pode ter problemas. Com este presidente, nunca se sabe", afirmou.

Associações de defesa dos direitos civis tentam reagir com iniciativas como a "Vote Safe" (Voto Seguro).

Esta campanha envia membros do clero, veteranos de guerra, professores e outros voluntários aos locais de votação para que expliquem seus direitos aos eleitores, mediem eventuais conflitos e documentem a ocorrência de atos de intimidação.

"O medo é o objetivo, e devemos agir", afirmou Mary Corcoran, diretora do Save America Movement.

"Se não houver enfrentamento, o medo é suficiente para fazer com que as pessoas fiquem em casa, sem que sequer um agente precise pisar em um local de votação", disse.

K.Lang--MP